terça-feira, 29 de abril de 2014

"(...) Bem, Iocanaan, eu estou viva; mas tu estás morto e tua cabeça pertence-me (...)"


Já pouco importa se Salomé e João Batista, com as motivações fúteis da primeira e a inocência santa do segundo, ou se Judite e Holofernes, em nome da sobrevivência do seu povo, ela, e no justo castigo do atacante, este último.
Uma vez estendido o prato, a cabeça cortada, o sangue derramado, o destino cumprido, os instintos aplacados (nossos ou dos outros, já pouco importa), fecha-se a porta, vira-se a última página do livro, desliga-se o sonho, muda-se a agulha do pensamento de faixas múltiplas.

E depois o silêncio e a paz do fim. 
Prémio repartido entre carrasco e condenado.

Quadro de Klimt (Judith I)
Título de Oscar Wilde in Salome

segunda-feira, 28 de abril de 2014

E todas essas coisas foram em demasia


As consequências

Nenhuma geração e os nascentes.
Os anos e nenhum foi o último.
Caronte a transportar os vivos num veleiro
embalado por ciclones de sereias emudecidas.
As mãos que estrangulam o coração.
Redes de pesca para sempre vazias.
As viúvas nos seus vestidos de lã preta.
Gelado de limão derretido sob a manga.
Botticelli em relevo para cegos.
A lampa de Edison estilhaçada na carne.
Os fatos de riscas dos burocratas
num sofá de veludo tingido de sangue.
A criança que se vende nas ruas de Xangai.
Duas rosas que o vento derrubou a sul.
Lábios incinerados pelo sol do deserto
na miragem de um lençol egípcio às cinco da tarde.
A dança dos soldados no ritmo de Wagner.
Pianos desnudos a apodrecer sob azáleas.
Uma aranha sentada à espreita na teia tecida.
Sodoma congelada pela lava cuspida.
As gárgulas com areia entre os dentes.
A cinza do pavio de Gepeto na barriga do cetáceo.
Uma rainha diante da cabeça exibida na salva de prata
com que mandou limpar a afronta da alma
O movimento do ponteiro das horas.
O olhar do demente. E o eco da dor.
Cada gota de veneno nas veias,
Cada cilício e ainda cada silêncio.
Formaram-se todas estas coisas
Das nossas mãos brevemente unidas.

A partir do poema "As causas" de Jorge Luís Borges  ou de como deixar um escritor às voltas no túmulo.

domingo, 27 de abril de 2014

E todas essas coisas não chegaram



As Causas

Todas as gerações e os poentes.
Os dias e nenhum foi o primeiro.
A frescura da água na garganta
De Adão. O ordenado Paraíso.
O olho decifrando a maior treva.
O amor dos lobos ao raiar da alba.
A palavra. O hexâmetro. Os espelhos.
A Torre de Babel e a soberba.
A lua que os Caldeus observaram.
As areias inúmeras do Ganges.
Chuang Tzu e a borboleta que o sonhou.
As maçãs feitas de ouro que há nas ilhas.
Os passos do errante labirinto.
O infinito linho de Penélope.
O tempo circular, o dos estóicos.
A moeda na boca de quem morre.
O peso de uma espada na balança.
Cada vã gota de água na clepsidra.
As águias e os fastos, as legiões.
Na manhã de Farsália Júlio César.
A penumbra das cruzes sobre a terra.
O xadrez e a álgebra dos Persas.
Os vestígios das longas migrações.
A conquista de reinos pela espada.
A bússola incessante. O mar aberto.
O eco do relógio na memória.
O rei que pelo gume é justiçado.
O incalculável pó que foi exércitos.
A voz do rouxinol da Dinamarca.
A escrupulosa linha do calígrafo.
O rosto do suicida visto ao espelho.
O ás do batoteiro. O ávido ouro.
As formas de uma nuvem no deserto.
Cada arabesco do caleidoscópio.
Cada remorso e também cada lágrima.
Foram precisas todas essas coisas
Para que um dia as nossas mãos se unissem.

Jorge Luis Borges, in "História da Noite"

Rio da lua

Eram dez da manhã e podia jurar ter visto a ponte, acabada de acordar, espreguiçar-se sob o sol.
Lisboa, nas minhas costas, ensaiou um sorriso menos triste e despediu-se de mim ao som desta música.




"There's such a lot of world to see
We're after the same rainbows end
Waiting round the band
My huckleberry friend, moon river
And me"

sábado, 26 de abril de 2014

River's people

26 de abril

Na ressaca do 25 de abril, e também em sentido literal, esta brava tripulação Pirata tirou a tarde de hoje para me chatear com essa coisa da liberdade. 
Primeiro, puseram os músicos do Caffè Florian a tocar o "Depois do Adeus" do Paulo de Carvalho. Em seguida escreveram cartazes onde se podia ler a contextualmente incompreensível declaração "Nem mais um soldado para as colónias". Depois, espetaram cravos vermelhos na ponta dos sabres e, por fim, não se desse o caso de eu ainda não ter percebido onde queriam chegar, começaram a gritar pelo navio fora que "liberdade ou muerte", assim mesmo, em péssimo sotaque portunhol. 
Lá pelas seis da tarde, o convés do navio parecia uma recriação do largo do Carmo, mas com cadeiras de design no lugar de chaimites e vestes de Pirata em vez de farda militar. 
Noutros tempos, ter-lhes-ia dado dois gritos e tentado explicar que a coisa mais parecida com colónias que aqui temos são as gôndolas roubadas que atracaram ao navio contra a minha vontade, que isto não é uma nação mas um emprego e são livres de se irem embora quando quiserem, que a maioria das decisões já é tomada por sufrágio universal e que não tendo nós leis nem constituição, esta revolução é, no mínimo e respeitosamente falando, muito parvinha. 
Mas a experiência adquirida - nos tempos em que era uma pessoa de bem e tinha uma profissão quase normal - ensinou-me que o poder instituído não dialoga com revolucionários. 
Decidi, pois, que o melhor seria juntar-me à luta, empunhar um dos cartazes contra a guerra nas colónias, enfiar um cravo no cabelo e gritar mais alto do que todos "liberdade ou muerte". 
Pelas sete da tarde, perante uma oposição ao poder composta pela unanimidade dos governados, declarei a revolução bem sucedida e perguntei-lhes o que queriam fazer agora quanto ao vazio do poder. Cinco minutos depois, sem nenhuma surpresa, concluíram que o melhor era proclamarem-me capitã.
Comecei por fingir recusar o cargo, dizendo que estou farta de resolver problemas burocráticos e que também quero ser governada. Mas depois de vários pedidos e aclamações lá aceitei retomar o meu lugar de capitã.
Claro que, agora que fui democraticamente eleita, exigi receber um salário condigno. 
Para aprenderem a não andar a brincar às revoluções.

Kierkegaard & shoes


Diz Kierkegaard, em "O Banquete",  que não é possível admitir o involuntário num ser racional e livre.  
Sei muito pouco sobre seres racionais e livres já que nunca me foi dado o privilégio de conhecer nenhum e parece-me que não haverá prisão mais segura do que aquela em que habita o ser profundamente racional. 
Sobre o involuntário, sei duas ou três coisas. Sei, por exemplo, que são da ordem do involuntário as emoções que se nos impõem. E sei também que são essas, as que escapam ao crivo da razão, as únicas que costumam valer a pena. 
Kierkegaard diz que o involuntário num ser racional e livre é inadmissível. Mas eu desconfio que Kierkegaard era um emocional. E esses, já se sabe, não precisam do involuntário para nada.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

But the Lord said "go to Devil"


"So I run to the Devil, he was waiting"

Diário de Bordo

Durasse a visita de estudo outros sete dias e talvez a velha Itália não lhe sobrevivesse.
Logo que esta gente se apanhou em Florença, juntou a arte do roubar ao vício do colecionismo e foi atacada pela súbita mania de se fazer acompanhar por inúteis recuerdos arrancados de todas as vielas por onde passou.
E quando digo arrancados, quero mesmo dizer arrancados. A Ponte Vecchia, por exemplo, ainda há uma semana era uma ponte florentina e agora está transformada numa gigantesca fatia de queijo suiço. Não houve batedor de porta em forma de gárgula que sobrevivesse; placa histórica que não tenha mudado de residência para dentro do navio; estátua que se tenha mantido íntegra à nossa passagem. 
À proibição de fotografar a Primavera de Botticelli, responderam com o surripianço da dita, que agora decora a parede da nossa sala de refeições, mesmo por baixo de um pedaço do tecto da Uffizi que um deles também se lembrou de trazer para fazer conjunto. 
A mania, em vez de desaparecer com o tempo, foi-se agravando Itália fora. Nos últimos dias, substituíram as tradicionais mochilas de turista por contentores. Tenho a cabeça da estátua de Guilietta pendurada no mastro; uma pequena plantação de vinhas de Chianti no convés do navio e, presas por uma corda, nada menos que dez gôndolas roubadas numa noite de lua cheia. 
No dia da partida, organizaram uma mini-rebelião na Praça de San Marco e disseram que só voltavam se os deixasse trazer a orquestra do Caffè Florian, duas mesas e quatro cadeiras e metade do serviço de porcelana.
Confesso que só acedi porque achei uma certa graça à ideia de sequestrar os músicos, privando os turistas japoneses da banda sonora das filas da basílica.
Foi uma péssima ideia. Afinal a orquestra tem um repertório muito limitado e passa os dias pelos corredores do navio a tocar o "Por una Cabeza" do Carlos Gardel. 
Não fosse o meu temor pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e já os teria mandado a todos borda fora.
Imbuída deste estado de espírito de profunda irritação decidi, pela primeira vez, legislar sobre o vestuário da tripulação. Aguentei em silêncio as falsas pernas de pau com brilhantes swarovski, os lenços Hermès de motivo nada piratístico, brincos e pulseiras desajustados, camisolas que nem sequer são de riscas. Agora, máscaras venezianas??? Piratas de máscara veneziana??? 

Da desistência

Apesar de nunca me terem conseguido dar uma explicação satisfatória sobre a cor da linha que separa a mania (ou a obsessão socialmente aceitável) da loucura pura a justificar internamento, desconfio que a fronteira se faz, algures, pela possibilidade de desistência. 
O louco varrido difere do maníaco socialmente integrado na medida em que não tem qualquer auto-domínio relativamente ao objeto da sua perturbação.
Isso faz da desistência a arma de defesa do obsessivo que ainda não chegou ao estádio da loucura.
Às vezes, a única coisa sensata a fazer é desistir.
Desistir, enquanto ainda é possível.

Por una Cabeza


sábado, 19 de abril de 2014

E se o amor for apenas um fenómeno de marketing?

Casa da Giulietta, Verona (detalhe)

Estar

De todas as formas que os homens inventaram de fugir de si próprios, parecem-me ser as viagens a única que inclui a possibilidade do reencontro.
Em Verona, não cheguei a cuspir no túmulo de Romeu, mas, por uma noite, tive a varanda de Julieta a sós para mim, e foi tempo suficiente para perceber o poder que a poesia exerce na sublimação falseadora da realidade. Naqueles vinte metros quadrados de chão milhões de amantes fizeram promessas que não cumpriram e outras centenas de milhares fecharam a cadeado um amor que, por certo, já se perdeu na atmosfera. A maioria ter-lhe-á sobrevivido para ir trancar a cadeado um outro futuro amor, talvez naquela ponte de Paris.
O amor é apenas um estado de espírito.
Nas vinhas de Chianti, não senti a vertigem de um suspiro no meu pescoço, mas percebi que a terra tem mais força do que o mar e que a amizade é um sentimento infinitamente mais gratuito e fundado do que o amor.
Também não consegui descobrir se se comem favas na Toscana, mas posso jurar que combinam muito bem com o tal do chianti. 
Vi o por-do-sol debruçada na Ponte Vecchia de Florença e não senti a falta de ninguém.
Vi o nascer do sol deitada na Praça de São Marcos em Veneza e não senti a falta de ninguém.
Desta vez não dancei o "As Time goes By" ao som dos músicos do Caffè Florian. Mas dancei o tango do Piazzola e a nostalgia não deturpou os passos desfeitos pelo riso.
Só quem nunca se desintegrou ignora a paz que existe no acto de estar inteiro, num lado qualquer.
Em Itália estive.
E esta manhã consegui, finalmente, reunir a coragem suficiente para pedir um cartão continente à menina da caixa. 
Porque talvez o mundo real até não seja assim tão insuportável.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

E assim deveriam ser todos os céus


Cantigas de Escárnio e Maldizer II


Cantigas de escárnio e maldizer II

Ela 

Nunca foi amor, foi um equívoco.
A minha vida é um libreto distribuído pouco mais do que à nascença e eu cumpro-o com o profissionalismo de uma diva no palco do São Carlos. Ensinaram-me a responsabilidade para com o público e eu recebo as rosas de encontro aos pés com a mesma expressão com que acolho as vaias dos dias maus. O público não existe realmente porque a vida é esse intervalo, sentada de encontro ao espelho de um camarim apertado, a sós com a minha falta de maquilhagem. O público não me afeta porque renunciei ao interesse em ser amada. Todo o amor é falso. Como o comprova o teu olhar, hoje vazio.
Por vezes dobro o libreto e, por instantes, reservo-me o direito à existência. Á noite subo aos telhados das cidades e penduro as pernas no vazio com os olhos postos nas janelas das vidas dos outros a absorver-lhes a humanidade. É um direito de exercício balizado pela consciência da sua efemeridade. 
Nunca foi amor, foi um equívoco.
Numa dessas noites de libreto dobrado e pés pendurados no abismo foi a tua janela que eu vi do meu telhado. E a minha vasta coleção de almas catalogadas e arrumadas num álbum de capas de prata argentina pareceu-me miserável diante daquilo que vi dentro de ti. Estava escuro e ao fundo ouvia-se jazz e tu riste-te para mim e foi como se tivesse ficado presa dentro de uma madrugada sem fim embalada numa canção interminável. 
E, no entanto, todos sabíamos da brevidade daquela noite eterna roubada a um programa onde a organização não fez a gentileza de incluir o teu nome. Iludiste a clepsidra em artimanhas de uma Sherazzade de mãos gigantes e pele de mar. Sempre que eu movia o corpo na direção do despertar, tu iniciavas uma nova estória de marinheiros, piratas, tesouros e mulheres perdidas. E eu viciei-me nas tuas estórias e foi como se tudo o que existisse fosse apenas a tua voz a teletransportar-me para um mundo imaginário sem dias, nem estações, nem tédio, nem tristeza, nem público, nem coisas. 
E enquanto tu te inventavas como a mais mágica das personagens das tuas lendas, uma clepsidra avariada e um libreto esquecido atiravam-me à cara uma coleção de almas, num álbum de capas de prata argentina, para sempre incompleta.
Nunca foi amor, foi um equívoco.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Cofres


Por fim, eliminei quase tudo.
Guardei o búzio e uns versos manuscritos dentro de uma cartolina pintada.
Não para me lembrar dele.
Para nunca me esquecer da melhor parte de mim.


Diário de Bordo

Já diz o povo - cuja sapiência é claramente posta em causa pelo estado das democracias da velha Europa, mas não vou falar nisso agora para não ficar já indisposta - que não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe.
Cumpriu-se o adágio neste navio, terminando assim a terrível crise financeira com que nos debatíamos desde o início do ano, altura em que esta brava tripulação se entregou ao vício do jogo e nos deixou a todos na mais miserável miséria.
Quando descemos à barriga da baleia para salvar uma das nossas do reino dos mortos, deixámos no seu lugar o nosso refém Jack Sparraw, ficando impossibilitados de o devolver ao patrões de Hollywood e enriquecer com o resgate.
Mas graças ao elegante hábito destes Piratas, que consiste em roubarem tudo o que vêem mesmo que estejam convencidos que não serve para nada, a nossa sorte mudou.
Quando chegámos ao navio, além de algumas caixas de fósforos humedecidas, o velho livro da escola do Pinóquio, os restos daquilo que suspeito ter sido uma camisa de Gepeto, uma faca de amanhar peixe,  meia bolacha oreo e um carregador de telemóvel de linha branca, constatei que estes bravos tinham roubado quilos e quilos de uma coisa cinzenta e muito malcheirosa, saída diretamente do intestino da baleia.
Depositámos a estranha substância na piscina do navio e fomos ao google tentar perceber se aquilo, depois de seco, nos poderia servir como alternativa gastronómica às algas, cujo excesso de consumo nos provocou uma estranha tez esverdeada.
Foi nessa altura que descobrimos que o excremento da baleia é uma coisa que se chama âmbar cinza e que rende fortunas no mercado da cosmética.
Um anúncio no e-bay e dois telefonemas depois, a piscina estava vazia e os nossos cofres cheios.
A moral da história é que, a quem nasceu para vencer, mesmo que numa situação merdosa, até a merda o pode salvar. 
Este navio voltou aos seus tempos esplendorosos de sunset parties com DJ's contratados, lenços da Hermès, tapa-olhos importados, mobiliário de design e jantares gourmet feitos na Bimby que tirei do prego e devolvi ao Andhrimnir, o cozinheiro Pirata e que é a personagem neste blogue que mais vezes muda de nome atenta a minha incapacidade de o fixar.
Tencionamos gastar o dinheiro todo em festas e futilidades extravagantes e esperar calmamente pela pobreza enquanto atacamos um ou outro barquito por pura diversão. 
Imbuídos deste espírito, decidimos rumar à costa da Toscana para fazer uma visita de estudo à Uffizzi e, por uns dias, substituir o rum pelo Chianti. 



domingo, 6 de abril de 2014

Despedidas


- " A despedida é uma dor tão suave que te diria boa noite até ao amanhecer"
Diz Romeu, esse cobarde, sem nada saber de despedidas, dores, noites e amanheceres. 
A despedida, na forma de gesto continuado, contém o equivalente psíquico à dor  de "ir arrancando" um dente.
A coragem dos pragmáticos impõe um abraço de trinta segundos, um rápido afastamento na direção oposta e nenhum último olhar. 
E é assim que deve ser.
Na pressa da saída, é claro, não convém deixar a alma esquecida. 
Ali,  largada no meio do chão.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Não habito Youkali

"YOUKALI, ilha quase no fim do mundo. O seu único habitante é uma fada que tem por missão acolher os viajantes desalojados. Qualquer alma perdida que chegue a Youkali é convidada a dar uma volta pela ilha, que assumirá a forma de dos seus desejos mais profundos e dos prazeres que mais anseie. Youkali foi descrita como o Fim de Toda a Tristeza. a Terra da Troca de Votos e do Amor Correspondido, a Esperança que Reside no Cerne de Todos os Corações Humanos. Certos viajantes referem que esse lugar não existe e que Youkali não passa de um devaneio desesperado. No entanto, os relatos não são conclusivos.
Kurt Weille Roger Fernay, Youkali: Tango Habanera, Nova Iorque, 1935"

In Dicionário de Lugares Imaginários, Alberto Manguel e Gianni Guadalupi, Tinta da China Edições.

Não sei nada sobre a existência de Youkali. Mas sei algumas coisas sobre viajantes que a procuram e num "devaneio desesperado", às vezes, pensam tê-la encontrado. 
E é cansativo desiludi-los. 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A mentira

Num esforço de sustentação da coerência cósmica, enviei a mensagem no dia 31 de março para que pudesse ser respondida no dia 1 de abril com uma mentira legitimada pela tradição do calendário.
Mas não houve resposta. 
E eu fiquei a pensar que até o silêncio é mentiroso.