quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Esta tão doce banalidade

Veio a chuva, veio a noite, veio o tédio na curva da casa que já me pertence. 
O poeta dorme ao lado no livro fechado e gosto sempre de pensar no que diria sobre as porcelanas no armário. Tantos tachos, tantas velas, naperons bordados que são uma estaca espetada no peito de quem tanta diferença esperou de mim.
Não devemos ter vergonha de ser apenas isto. Uma mulher também se mede pelo número de faqueiros que tem à sua disposição. É um critério tão válido como outro qualquer. Acumulo mobiliário com a mesma alegria com que antes acumulei gotas de chuva. Não me interessa a deceção espelhada nos cantos dos lábios do poeta que dorme ao lado no livro fechado. Posso bem ter descoberto a receita para a sobrevivência: esta tão doce banalidade.

7 comentários:

  1. tu, querida Laruca, Cuca, (des)larga também o caraças do AO. que nada em vós existe em comum... :)

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    1. Esse AO não estou certa de ter entendido. Mas deslargo! Eu deslargo tudo!

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  2. Eu acúmulo sacos de supermercado no chão da entrada, da cozinha e quase na sala. preferia faqueiros, nestas, arcos e flechas. Sempre são silenciosos...digo eu...

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    1. Sacos de supermercado vazios?
      Olha que se a malta verde te lê...

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  3. Zero em faqueiros, a acumular gotas de chuva...
    ~CC~

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    1. Os faqueiros permanecem mais tempo. Mas nada bate uma boa coleção de gotas de chuva.

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